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Cultura

(Não tão) bucólicas poesias

As letras são um percurso normal na vida do autor. A poesia representa o culminar de um regresso às origens. Por Philippe Alexandre Baptista e Alexandre Gouveia

Com gnus e um homem enforcado numa árvore, Bucólicas, o último livro de Alexandre Valinho Gigas, canaliza uma antítese desde a capa. A obra, que vai ser apresentada amanhã no Café Académico, pelas 17 horas, resulta de dois anos de percurso que se seguiram ao regresso do autor à sua terra natal.

Escritor assumido aos 22 anos declara sobre o seu livro, “as bucólicas encerram momentos em que estive a viver num outro contexto que não nesta cidade”, explica o escritor, que acrescenta que “o voltar à minha terra natal despertou a linguagem poética”. A propósito deste livro não se fala de fio condutor, mas sim de uma compilação de textos que representam um momento preciso da sua vida.

A imagem da capa transmite sensações fortes. Alexandre Valinho Gigas afirma que corresponde “a um lado negro que sobressai na minha escrita, que se evidencia nestes poemas, que pode ser expresso dessa forma”. Com uma espécie de antinomia entre vida e morte, seres vivos e um enforcamento.

O escritor tira a sua inspiração de autores realistas, como os franceses Balzac, Zola, Maupassant, o português Eça de Queirós ou o russo Dostoïevski. Neste livro inspirou-se sobretudo em Sofia Mello Breyner e Fernando Pessoa, mas também em “toda a geração Beat, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, muita gente de estilos bastante diferentes”. Em ‘Bucólicas’ encontrou inspiração na poesia, onde começou a ler muito mais que lia antes.

Em termos artísticos, Alexandre Valinho Gigas define-se como “um ‘outsider’, na medida em que grande parte dos editores não se reconhecem no meu eu poético”. Não quer ficar encerrado num carimbo, como explica, por considerar que “é um exercício muito difícil estar a criar compartimentações, sobretudo na classificação de formas de expressão”. “É uma coisa que é feita a posteriori, depois das coisas já existirem”, sintetiza.

Entre a participação em rádio e a escrita num blogue, Alexandre Valinho Gigas tem como objetivo “dar poesia e literatura a todas as pessoas”. O seu trabalho criativo é “um ‘work in progress’”, uma forma de ser transparente. Sobre a sua carreira de autor, fica humilde: “Acho que estou a aprender a escrever. Quando olho para trás, parece que escrevia muito mal, há textos e livros com os quais não me identifico, já não sou eu”. É, para o escritor, a evolução natural.

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Fotografia: DR

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