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Cultura

Uma canoa que “podia ter sido o microondas, o guarda-chuva, a Rosa ou a menina”

A companhia de teatro A Escola da Noite entra na última semana de exibições de “A Canoa”, de Candido Pazó. Metade das receitas de bilheteira da sessão de dia 15 de outubro revertem a favor da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Por Rafaela Carvalho

Até 18 de outubro, o Teatro da Cerca São Bernardo é porto para “A Canoa”. A peça pretende desafiar as noções de poder entre vítimas e agressores em contexto de violência doméstica. Nesse âmbito decorreu na passada quinta-feira, 8, o debate “Violência Doméstica – prevenção e combate”. A discussão contou com as intervenções de Catarina Martins e Madalena Duarte, investigadoras do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e de Tatiana Moura, membro da Associação Promundo Brasil.

Necessidade de formar novas mentalidades

Na opinião das oradoras é preciso uma maior intervenção a nível da formação da sociedade civil e das entidades competentes. Catarina Martins reforça esta ideia ao referir a necessidade de um “trabalho de desconstrução crítica, articulado entre as diversas instituições e entidades competentes”.

Ao longo da sua investigação doutoral, Madalena Duarte foi confrontada com esse défice de formação. “A partir do momento em que a vítima apresenta denúncia tudo depende das pessoas que encontra pelo caminho: desde técnicos e polícias a juízes com muitas ideias preconcebidas”. De acordo com os casos que analisou criam-se mitos e personagens-tipo que posteriormente servem de atenuantes em julgamentos e decisões judiciais. Madalena Duarte sublinha que “nem todos os agressores são bêbedos” e “que nem toda a violência doméstica é física”.

Padrões de violência e influência das novas tecnologias 

Tatiana Moura chama a atenção para a “existência de padrões de transmissão intergeracional de violência” e para a necessidade de “pensar nas consequências da perpetuação desta”. Com foco na peça, a membro da associação Promundo explica que é preciso “desafiar o equilíbrio das relações de poder, porque a canoa (enquanto despoletador de violência) podia ter sido o microondas, ou o guarda-chuva, ou a Rosa ou a menina”, outros dos elementos cénicos.

Catarina Martins refere que a continuidade da violência doméstica se reflete também nas relações entre os jovens, principalmente numa altura em que as redes sociais representam um papel tão importante nas relações quotidianas. Segundo a investigadora do CES, as novas tecnologia criam “relações mais constantes, mas menos aprofundadas” e os “telemóveis e as redes podem propiciar liberdade, mas também controlo, uma vigilância confundida com cuidado”.

Outras iniciativas

Entre as atividades ligadas à temporada, o produtor da companhia, Pedro Rodrigues, destaca o dossier especial criado no ‘weblog’ d’A Escola da Noite onde foi feita uma compilação das notícias lançadas na comunicação social sobre o tema. Pedro Rodrigues ressalva, no entanto, que a seleção dos artigos teve em conta o cuidado de exclusão de reportagem sensacionalistas que “são, também elas, armas de agressão”.

*Foto D.R.

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