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Conselho Geral

Gonçalo Bento: “Uma forma de financiamento passa pelas entidades externas” [entrevista na íntegra]

Com 22 anos, Gonçalo Bento é estudante do quarto ano de Ciências Farmacêuticas, membro do Grupo Ecológico da Associação Académica de Coimbra (AAC) e Presidente da Mesa do Plenário do Núcleo de Estudantes de Farmácia. Natural da Guarda é filiado na Juventude Social Democrata (JSD). Por Rafaela Carvalho e Sandro Raimundo. Fotografias de Raquel Mendonça

Que balanço que fazes das eleições? A nível pessoal, mau, porque sou ambicioso e gostava de ter tido a lista mais votada e o privilégio de colocar o meu número dois. Não sendo possível perdeu algum encanto, mas a possibilidade de ter entrado é bastante gratificante. A partir desse momento já é bom, numa versão egoísta da minha parte, tive pena de não ter conseguido colocar mais pessoas mas o objetivo é trabalhar sempre em equipa com eles. Este é o balanço mais correto das eleições. O terceiro mais votado não é mau, mas podia ter sido melhor.

A taxa de abstenção foi de cerca de 80 por cento, consideras que os estudantes não conhecem o Conselho Geral (CG) e a importância que tem? Sim, sem dúvida alguma que há um perfeito desconhecimento relativamente aos órgãos do governo da universidade. Muitas vezes as pessoas não têm noção que existe um Conselho Pedagógico e uma Assembleia de Faculdade, quanto mais um Conselho Geral e um Senado. Quando andamos em campanha, é o nosso principal entrave. Quando vamos falar de um órgão que é totalmente desconhecido, o primeiro ponto é explicar o que se faz lá, qual a sua importância e incentivar as pessoas a ir às urnas votar nos seus representantes. O valor da abstenção é bastante preocupante e vem um pouco ao encontro daquilo que tenho vindo a falar que os estudantes andam cada vez menos preocupados.

De que forma é que o CG pode atuar nesta situação? Isso foi uma das coisas de que falámos muito na nossa campanha eleitoral – a falta de comunicação é a grande barreira que há entre a universidade e os estudantes. Por exemplo, não só a questão dos orgãos, mas o conjunto de atividades que a Universidade de Coimbra (UC) tem e de que os estudantes não têm conhecimento. Uma das coisas de que falámos muito foi a questão do Fundo de Apoio Social, que existe e cuja verba é passada de um ano para o outro porque as pessoas não têm conhecimento e não se candidatam. Nós sabemos perfeitamente que há muita gente a precisar desse fundo e penso que temos de começar por dar a conhecer às pessoas os vários orgãos da universidade e o que por lá se faz e se discute.

Nessa questão de uma maior comunicação dos conselheiros e os estudantes, por exemplo, anteriores colegas chegaram a ir às Assembleias Magnas (AM) falar com os estudantes e dar-lhe a conhecer o que era discutido no CG. Terás uma posição semelhante? Não pensei muito nesse ponto. Obviamente que seria uma boa forma de comunicar às pessoas o que se passa no CG, mas as Magnas têm poucas e as mesmas pessoas. Mas espero, como tem sido feito nos anos anteriores, estar presentes nas AM e se for oportuno falar de alguma questão que esteja a ser debatida no momento, pedirei a palavra.

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Quais as bandeiras que pensas formalizar de forma prioritária no teu mandato? Uma é a questão que já falámos de dar a conhecer aos estudantes os orgãos da universidade, outra que também é importante é a questão, de que já falei bastante no último debate e que fui muito criticado neste ponto, de apostar nos cursos de verão para os alunos estrangeiros. Nós sabemos perfeitamente que Coimbra no mês de agosto tem uma diminuição de atividade, bem como a UC. Porque não fortalecer a atividade da UC com cursos de verão direcionados, não só, mas maioritariamente para os estudantes internacionais. Uma vez que Coimbra foi considerada Património Mundial da UNESCO, temos de usufruir da questão do turismo como uma boa fonte de receita e ajudar nessa questão. Seria uma espécie de Universidade de verão, mas além fronteiras. A questão da propina e da ação social é algo que tem de estar todos os dias em cima da mesa. Uma das questões que já falei é o Fundo de Apoio Social, dá-lo a conhecer não só aos alunos de Coimbra, mas também aos alunos internacionais. Para que assim eles, apesar do valor da propina, saibam que existem outros apoios que lhes podem ser oferecidos. Por último, os anteriores conselheiros estudantes conseguiram fazer com que os estudantes pudessem realizar uma cadeira noutra unidade orgânica, mas essa unidade não pode ser a própria e, na minha opinião, seria uma vantagem  muito grande que assim não fosse, pois há alunos de polos diferentes e têm dificuldades a nível de transportes e horários.

Nas diferentes discussões do CG, consideras que faz sentido os conselheiros estudantes votarem em bloco para mostrar força? Penso que isso é importante. Normalmente falam muito na questão de os estudantes serem só 15 por cento do conselho geral, mas relembro que, por exemplo, no mandato anterior o reitor foi eleito pela diferença de um voto, o que significa que podemos fazer a diferença se formos cinco votos num mesmo sentido e não um voto para cada lado. Obviamente que entramos os cinco quase um de cada lista, mas isso é algo que tem de ser concertado e devemos ser responsáveis o suficiente para pensar que a partir de agora o mais importante não são as pessoas que estão dentro do CG, mas sim os 23 mil estudantes que representamos e por quem temos que fazer o nosso melhor. O grande objetivo é concertar uma ideia entre os cinco para termos peso e termos algo a dizer.

Que balanço fazes do anterior mandato de reitor? O meu pensamento sobre o reitor é simples: teve o seu mandato numa altura de crise e, sendo a UC uma universidade pública, estávamos muito dependentes do Estado. Com todos os entraves e condições que o estado lhe colocou, conseguiu colmatar e conjungar tudo, não despedindo ninguém. Obviamente que aumentou a propina e custa-nos bastante, mas é aí que, no CG, temos de ver alternativas a essa questão.

Vais integrar o órgão que decide o valor da propina. Qual é a tua posição? A propina, estando no valor em que está, é insuportável para a maioria dos estudantes. É importante, como já tinha falado, tentar que o estudante, quando há um corte por parte do estado, não seja o principal alvo. Obviamente, que tenho a noção que não podemos chegar lá e dizer: não há propinas. No mês seguinte não havia universidade. Penso que temos de ser responsáveis nesse ponto. Também temos de pensar que a propina já chegou a um valor bastante elevado e agora a ideia é tentar arranjar formas para que o valor vá gradualmente reduzindo.

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Tendo em conta que cerca de vinte por cento do financiamento da UC vem exatamente das propinas que formas é que propões então para baixar isso? É assim, são 25 milhões. É um valor muito elevado e é muito difícil conseguir arranjar esse valor de um dia para o outro. Obviamente que as ideias que eu tive e as soluções que eu tive são, digamos, não para reduzir totalmente mas no sentido que eu acabei de falar de reduzir gradualmente.

Por exemplo, já foi considerada muitas vezes a opção de ir buscar financiamento externo ou de tornar a universidade numa Fundação, como é que vês estas hipóteses? A última vez que respondi a isso ia sendo excomungado. É o seguinte, obviamente que se o Estado não nos consegue apoiar, temos de ir às entidades externas para conseguirmos ser mais autossustentáveis. Muitos vão considerar que é um erro o que vou dizer, mas Coimbra é uma universidade de topo e, se calhar, era importante olhar para outras e perceber como é que elas se gerem e aprender um bocadinho com elas nesse sentido.

Terás em conta o diálogo com a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e com os Núcleos enquanto conselheiro? Falei à pouco da questão da falta de conhecimento para com este órgão. Obivamente, se falarmos com os núcleos e a DG/AAC – que são quem está mais próximo dos estudantes – fica mais fácil perceber os problemas dos estudantes e conseguirmos fluir informação do CG.

A universidade está a implementar um Regulamento Pedagógico que tem gerado alguma controvérsia. Qual é que é a tua posição sobre o mesmo? Relativamente ao regulamento pedagógico ainda não chegámos àquela fórmula mágica como havia no Astérix. Penso que se deveria informar os estudantes da alteração do regulamento. Este é o ponto número um, porque as pessoas não têm conhecimento. E depois explicar as alterações e ver qual é o feedback que os estudantes dão.

Quanto à constituição do CG, concordas com todos os seus elementos? E qual o balanço que fazes das suas atividades até à data de hoje? Quanto à constituição, há um elevado número de conselheiros externos. Não sou a favor de abolir estes conselheiros, mas pelo menos de haver uma diminuição. O seu balanço, a nível dos conselheiros estudantes, foi bom, mas é preciso melhorá-lo – e compete-nos agora a nós fazê-lo. A ideia seria fazer um contrapeso – diminuir as entidades externas e aumentar os conselheiros estudantes. Porque o cerne das Universidades são os estudantes.

Existe agora a nível nacional, uma possibilidade de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Como pensas agir? O importante é nós termos em consideração que primeiro temos de concertar uma ideia e depois apresentá-la ao reitor para solicitar o seu apoio e depois partir para Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas (CRUP). A partir daí é que podemos entrar em contacto com o governo. Isto porque o peso do Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas é bastante mais significativo na apresentação das propostas do que se fossemos lá nós individualmente apresentá-las.

A revisão do RJIES tem sido bastante adiada, consideras que é uma forma de deixar este assunto para a próxima legislatura? Muito sinceramente sim!

O que consideras mais premente rever nos RJIES? A alteração das entidades externas é o que realmente precisa de ser revisto.

Pensas ter uma postura de continuidade em relação ao trabalho dos anteriores conselheiros estudantes? Eu penso ter uma postura muito ativa. Não ir para lá só marcar presença.

E dois anos serão suficientes? O tempo o dirá, mas depois vê-se. Mais do que isso, os meus pais também não iam achar muita piada. Acho que faz sentido renovar de dois em dois anos para não se criarem aqueles vícios e é o indicado para se puder fazer um bom trabalho.

 

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