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Ciência & Tecnologia

Observatório Astronómico e Geofísico da UC comemora um século e meio de história

Uma cidade estendida aos pés e um vasto horizonte. É tudo o que o olhar alcança desde o parque meteorológico do Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra (IGUC), erguido há 150 anos. Por Rita Fé

As infraestruturas, já com um século e meio de história, ajudam a perceber o valor e a importância de uma instituição que sempre se esforçou por estar a par e à altura das inovações europeias. A recuperação de um vasto leque instrumental, que hoje habita os corredores do IGUC, explica por si só a importância do passado na evolução deste instituto. E, a marcar o ritmo da história da evolução dos estudos Geofísicos, está também a Biblioteca de revistas científicas do IGUC, com matéria desde finais do século XIX.

O engenheiro Paulo Ribeiro, esclarece que o Instituto Geofísico, ligado desde 2013 ao Observatório Astronómico – formando ambos o actual Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC) – conduz essencialmente estudos e observações do campo magnético e meteorológico.

Sismología

No IGUC, diz o engenheiro, são feitos estudos da atividade sísmica na zona de Coimbra. Os dados recolhidos são tratados e fornecidos ao Instituto Portugês do Mar e da Atmosfera (IPMA) e a redes internacionais. Os primeiros registos sísmicos em Portugal foram feitos em Coimbra e datam de 1891, “crê-se que com o sismómetro Angot“, lembra Paulo Ribeiro.

Meteorologia

No campo meteorológico, o que interessa estudar serão os valores como a radiação, precipitação e vento. Estas observações são adquiridas a partir da estação que se encontra no parque meteorológico, dentro dos limites do instituto. Em 1946, a estação do Instituto Geofísico consegue colocar-se entre as estações portuguesas abrangidas pelo atual IPMA. Porém, os dados extraídos pelo IGUC, deixam de fazer parte da rede de estações oficiais do Instituto Meteorológico em 1996. Presentemente a responsabilidade de divulgação dos dados ao IPMA cabe à estação de Cernache, ligeiramente afastada da cidade.  

Ainda que dotado de instrumentos e materiais modernos, que hoje permitem uma análise mais segura e viável de minuto a minuto, Paulo Ribeiro afirma que o IGUC não dispensa do uso e leitura de instrumentos mais antigos “essencialmente para efeitos de complementaridade”. É o caso do ondógrafo, um instrumento instalado no parque meteorológico, com o qual se faz “uma medição manual da precipitação. Os dados estão calibrados e são fidedignos, mas funcionam essencialmente como suporte dos registos em relação à estação automática, que consegue dados em tempo real”, explica Paulo Ribeiro.

A marcar o ritmo da história da evolução dos estudos Geofísicos está também a biblioteca de revistas científicas do IGUC, com matéria desde finais do século XIX.

Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra

Se o IGUC oferece um vasto e pleno horizonte do Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC), é caso para dizer que “o céu não é o limite”. O subdiretor do OAGUC, João Fernandes, afirma que neste momento “o observatório se dedica principalmente, através do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC), às interações entre Sol a Terra”.

Espetroeliógrafo e observações do Sol

“Todos os dias da semana, segunda, terça, quarta, sábado, domingo, Natal e Passagem de Ano”, é o que começa por dizer a técnica, Adriana Garcia, sobre a importância da captação das imagens do Sol. As observações são feitas diariamente, três vezes ao dia, desde que o tempo o permita, pois a qualidade das imagens fica condicionada pelas condições atmosféricas. Nas imagens, o que é objeto de estudo e observação são “a fotosfera, a cromoesfera e as manchas solares que se podem encontrar”, explica a técnica do OAUC.

Espetroeliógrafo é o nome do aparelho que faz com com que toda a magia aconteça ao captar imagens monocromáticas do Sol. Criado em 1926, é ainda hoje usado, com as devidas alterações exigidas pelo avanço tecnológico. Com a sorte ditada pelas condições atmosféricas, é aberta a cúpula que cobre o celóstato e procede-se à captação da imagem.

As imagens são, posteriormente à recolha, introduzidos numa plataforma de nome Bass2000, “uma base de dados que contém observações solares do observatório da UC e do de Paris, em Meudon“, esclarece a Adriana Garcia. Os dados introduzidos são também usados para o estudo do ciclo e de fenómenos solares, estão constante a ser atualização e podem ser visitados por qualquer um.   

O Museu e a Sala dos Mapas

Levantado em 1772, o OAUC localizou-se até ao Estado Novo no Pateo das Escolas, o que faz das instalações atuais, situadas em Santa Clara, relativamente recentes.

Na Sala dos Mapas, situada no edifício principal, encontramos os primeiros projetos do antigo observatório da Universidade de Coimbra, um deles com a assinatura do Marquês de Pombal. Aqui podemos ver todo o conjunto de cartas celestes, com datas entre 1750 e 1801, e as representações das esferas celeste e terrestre, feitas por William Jones, por volta do ano de 1800. Neste reportório, vemos também cartas do Brasil e a primeira carta de Portugal, feita por Francisco António Ciera, em 1803.

Também nas instalações do observatório, a dar conta de mais de 240 anos de história, ergue-se o Museu que acolhe variados instrumentos astronómicos, todos testemunhas de uma evolução trabalhosa. Entre muitas relíquias utilizadas para fins científicos e pedagógicos, é aqui que habita o melhor astrolábio náutico do mundo. Todos estes objetos repousam sobre mobiliário produzido e trabalhado em Coimbra.

O Observatório Astronómico e Geofísico da Universidade de Coimbra é, no seu todo, uma instituição com as portas abertas ao público. Tanto o IGUC como o OAUC levam a cabo atividades pedagógicas e didáticas dirigidas a estudantes do segundo e terceiro ciclo do ensino secundário. Um dos membros da direção do CITEUC, Teresa Barata, informa que um dos projetos futuros consiste na construção de uma cúpula de observação e de um planetário nas instalações.

João Fernandes, por sua vez, adianta que haverá uma aposta “na continuidade e no apoio à investigação, na preservação das observações que têm sido feitas diariamente e no ensino”. O OAUC, enquanto Instituição da UC, tem de dar “apoio ao ensino destas áreas científicas aos alunos em licenciatura e mestrado”, acrescenta o subdiretor.

O Observatório Astronómico da UC é um autêntico tesouro intelectual e uma instituição que deve ser olhada com alguma singularidade pela sua eficiência. Neste momento, é o único centro português dedicado à investigação solar e, segundo o seu subdiretor “mantém serviços de observações astronómicas para o uso em investigação que são únicos em Portugal e raros no mundo”.

Além de serem fontes de conhecimento, o IGUC e o OAUC permitem fazer uma viagem ao passado e entender a que custo se fez a herança científica que hoje temos.

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