Dez segundos de poesia por pessoa no Biafra Bambole

O Menor Slam do Mundo procura dar espaço a novos participantes de ‘poetry slam’. Formato reduzido para cada performance requer impacto e reflexão em poucas frases. Por Vittorio Alves

Em apenas dez segundos transmite-se uma ideia transformadora. O tempo é reduzido, mas é dentro dele que os participantes do “Menor Slam do Mundo” vão procurar impactar os jurados e instigar reflexões pela audiência. O palco é o descontraído Biafra Bombolé e a organização é da Secção de Escrita e Leitura da Associação Académica de Coimbra (SESLA). O evento vai ter lugar amanhã às 21 horas.

O ‘Poetry Slam’ é uma modalidade literária e performática. Carlos Guerra ‘Mossoró’, rapper e doutorando em comunicação, explica que o nome do género significa a “batida da poesia”. Tanto para Mossoró quanto para o organizador do evento, Pedro Vaz, a competição de amanhã serve o propósito de promover uma pluralização de vozes dentro do slam. Como Pedro Vaz põe, trata-se de “fazer possível com que pessoas que não têm espaços e hipóteses de mostrar o seu trabalho possam fazê-lo”.

Em ritmo de comunhão de produções artísticas, o evento vai contar com jurados selecionados no momento. Pedro Vaz refere que não é o habitual para eventos de ‘slam’ mais competitivos, uma vez que um jurado pode ter algum relacionamento afetivo com algum participante.

O “Menor Slam do Mundo” não está inserido em nenhuma competição de âmbito nacional. Para Mossoró, o objetivo do evento de amanhã não é tanto incentivar a competição, mas atrair mais pessoas para o ‘slam’. Confessa que nunca competiu antes num formato de dez segundos. Por outro lado, o rapper revela que a escolha da organização é favorável à iniciação de novos poetas.

O formato convencional do ‘Poetry Slam’ conta com performances de três minutos, às quais há abordagens que são aperfeiçoadas através da experiência. Mossoró destaca que “é difícil ter uma técnica apurada para dez segundos de performance”. Segundo o mesmo, o melhor dos poetas pode cair amanhã já na primeira ronda.

O competidor procura abordar em seus poemas temáticas políticas, bem como promover a tradução dos conhecimentos. Trata-se de democratizar os saberes académicos, habitualmente envoltos em linguagens pouco acessíveis. Mossoró esclarece que segue a teoria da “ecologia dos saberes” do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, cuja teorização passa por derrubar muros científicos e horizontalizar as áreas do conhecimento.

Fotografia: Vittorio Alves