INSIDE: o drama da violência doméstica no TAGV

Sara Jobard e Beatriz Wellenkamp Carretas retratam drama vivido por mulheres que sofreram de relacionamentos abusivos. Para a autora, “a realidade em Portugal e no Brasil é igual, mesmo com um oceano a dividir os dois países”. Por Eduarda Mendes

INSIDE, peça de teatro dirigida por Ricardo Correia e escrita por Sara Jobard, chega ao Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) nos dias 16 e 17 de maio. Este espetáculo baseia-se “em entrevistas a mulheres portuguesas e brasileiras que viveram relações violentas”, refere Sara Jobard, escritora e atriz da peça.

A nova criação coproduzida pelo TAGV é o resultado prático da tese de investigação de Doutoramento em Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra de Sara Jobard, cujo tema era o teatro documental. “A peça é uma forma de expor as situações privadas do casal que não são compartilhadas”, declara a autora.

Sara Jobard, brasileira, para além de ter escrito a peça, vai ainda subir ao palco com a atriz portuguesa Beatriz Wellenkamp Carretas. O facto de o espetáculo ser compartilhado entre uma brasileira e uma portuguesa é, segundo a autora, “a forma de demonstrar que a violência acontece no mundo todo”. A peça pretende demonstrar que “a realidade da violência em Portugal e no Brasil é igual, mesmo com um oceano a dividir os dois países”.

A escritora optou por partilhar as histórias de violência “de um ponto de vista feminista”. Sara Jobard começou por entrevistar “pessoas conhecidas que viveram relacionamentos abusivos com violência física e psicológica”, como a própria menciona. Só depois decidiu convidar Beatriz Wellenkamp Carretas para partilhar esta aventura.

“Fazer as pessoas ver que as situações de violência nos relacionamentos existem e que muitas das coisas consideradas normais numa relação não o são” é, segundo a escritora, o objetivo da peça. Por um lado, pretende-se que as “mulheres que estão numa situação de violência ganhem coragem para sair dela”, refere Sara Jobard. Por outro, pretende-se também que sejam os homens a perceber “que há determinados pontos que, quando ultrapassados, fazem com que a relação deixe de ser saudável”, acrescenta.

O espetáculo não tem um público alvo. “Todas as pessoas a partir dos 12 anos são bem-vindas”, menciona Sara Jobard. A escritora espera alcançar “o maior número de espectadores possível”. O seu objetivo é que as “pessoas saíam esclarecidas” quanto ao assunto da violência doméstica.

Fotografia: Valentina Caetano