FEUC anfitriã do Fórum de Inovação Coimbra Summit

“A inovação transforma o Estado, a forma como se vive em sociedade, como se combate o insucesso escolar, como se integra a diferença, como se cuida dos mais idosos”. Por Bernardo Almeida Henriques.

Inserido no âmbito do Dia Aberto na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), realizou-se hoje o Fórum de Inovação Coimbra Summit no auditório da respetiva faculdade. A atividade, enquadrada nas V Olimpíadas da Economia, dividiu-se em dois painéis distintos, iCoimbra e e-Government.

O primeiro contou com a participação do Vice President for Business Development da Stratio Automotive, Miguel Franco, João Bernardo Parreira, CEO da Book in Loop e Carlos Cerqueira, Diretor de Inovação do Instituto Pedro Nunes. A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, e Jorge Brandão, Vogal da Comissão Diretiva do Centro 2020 marcaram presença no segundo painel.

João Pedro Santos, estudante do Mestrado em Gestão e coordenador geral das V Olimpíadas Economia, referiu que a iniciativa foi “feita por estudantes da FEUC para estudantes de ensino secundário de Portugal continental”, com o objetivo de fomentar a discussão sobre o tema da inovação tecnológica. De acordo com o coordenador geral, o debate tem o intuito de colocar em evidência “o que é que representa a inovação para Coimbra e a relação da inovação com o Estado”. Para o efeito, indicou que a organização “optou por trazer personalidades políticas e personalidades do meio empresarial”.

O módulo relativo a iCoimbra debruçou-se sobre questões relacionadas com a criação de start-ups. A partir das experiências pessoais de Miguel Franco, João Bernardo Parreira e Carlos Cerqueira realçaram-se os principais obstáculos que os jovens empreendedores têm de enfrentar no mundo atual, bem como estratégias para os contrariar e assegurar modelos de negócios bem sucedidos.

E-Government

Maria Manuel Leitão Marques sublinha que a inovação da administração pública deve garantir a “disponibilização de serviços melhores para todos os cidadãos”. A ministra esclarece que esse desafio consiste em “atrair pessoas inovadoras para a administração, importar conhecimento, experimentar e fazer protótipos, antes de colocar os serviços no terreno”.

Na intervenção, a membro do executivo salientou que a tecnologia oferece mecanismos de previsão de inúmeras variáveis, os quais podem constituir soluções para diversos problemas. A ministra recorreu a exemplos concretos que contemplam áreas como o emprego, ensino e a saúde. “A inovação transforma o Estado, a forma como se vive em sociedade, como se combate o insucesso escolar, como se integra a diferença, como se cuida dos mais idosos. Também tem essa vertente social”, informa.

O ministro das finanças, Mário Centeno, trouxe para a praça pública a intenção de manter o trajeto de redução do défice. Confrontada com o facto e com os eventuais constrangimentos que este pode acarretar na esfera do investimento público, Maria Manuel Leitão Marques abordou a questão.

“Quando se reduz o défice, tirar-se dinheiro de outro lado. Portanto se se põe mais na cultura, tem de se pôr menos noutro lado. Se se põe mais na saúde, põe-se menos noutro lado”, exemplifica a ministra. “Mas é preciso perceber a máquina orçamental. Portugal tem uma dívida a pagar, mas a  dívida tem juros. Se não se reduzir o défice, não se tem credibilidade internacional e os juros sobem. E a receita paga os juros, que é uma parte muito importante da despesa”, acrescenta.

Ao reconhecer que toda esta gestão é difícil, Maria Manuela Leitão Marques não deixa de apontar a importância que o Estado exerce na aposta na inovação. Considera ainda que o investimento público é indispensável para as infraestruturas – que não são só coisas materiais, são o investimento nas competências, na qualidade do ensino – mas também para a atração de investimento privado.

Por fim, a ministra enfatizou a função determinante que o Estado desempenha no quadro do direito, enquanto instrumento de intervenção pública. “O mercado é em parte construído pelo direito. A participação do Estado na economia é importante, quer como investidor, regulador ou facilitador – de incentivos, benefícios fiscais e ao assumir o risco de empresas”, concluiu. Reforça que não conhece nenhuma economia que funcione bem sem o Estado ter um papel muito importante, mesmo nas fases mais liberais.

Fotografia: Bernardo Almeida Henriques