Referendo sobre Garraiada: a importância do voto consultivo dos estudantes

Conselho de Veteranos reitera a decisão final. Dux Veteranorum assegura que nenhuma decisão é tomada “sem primeiro averiguar o que a academia pensa”. Por Ana Lage e Ana Mota

O referendo relativo à continuidade da Garraiada vai ter lugar amanhã, dia 13 de março. Pode ser votado entre as 10h30 e as 18h30 nas faculdades e departamentos da Universidade de Coimbra (UC) e entre as 21h30 e as 23h59 na Associação Académica de Coimbra (AAC). Este referendo é de carácter consultivo, pelo que a decisão final vai ser tomada pelo Conselho de Veteranos da UC, explica o secretário-geral da Queima das Fitas (QF) de 2018, Manuel Lourenço.

Contudo, o presidente da comissão eleitoral do referendo, Carlos Marques, reitera que lhe foi reportado pelo Dux Veteranorum, João Luís Jesus, que a decisão final passa pelo Conselho de Veteranos e pela Direção-Geral da AAC (DG/AAC). Enfatiza ainda que não vai sobrepor a sua palavra à do secretário-geral da QF.

O Dux Veteranorum afirma que “a competência para presidir sobre assuntos que digam respeito à praxe e à tradição é do Conselho de Veteranos”. No entanto, garante que “em todo o seu historial, nunca este foi contra uma opinião generalizada da academia”. Mostra-se preocupado em conhecer a posição dos estudantes e assegura não tomar nenhuma decisão “sem primeiro averiguar o que esta pensa”.

Os estudantes vão ter oportunidade de votar nas urnas quanto à continuidade ou abolição da Garraiada. O resultado do referendo vai ser divulgado “durante a noite da contagem dos votos, ou, o mais tardar, na manhã seguinte” afirma Carlos Marques. Após o conhecimento do mesmo, a discussão passa para o Conselho de Veteranos, que vai analisar o assunto a fim de chegar a uma conclusão.

Apesar do seu carácter consultivo, “o referendo foi feito para saber o que os estudantes pensam”, explica o comissário da Tradição da QF, Ricardo Gonçalves. O mesmo acrescenta que não está preocupado em criar alternativas para o dia da Garraiada pois não quer “influenciar a escolha dos estudantes”.

A presidente do Grupo Ecológico da AAC, Maria João Pereira, espera que, “apesar do referendo não ser vinculativo, a vontade dos alunos seja realizada”. Tal como todas as entidades referidas, a mesma apela ao voto por parte de toda a comunidade estudantil. Ambiciona ainda que seja “uma votação concorrida porque este tipo de iniciativa é importante para a UC”.

João Luís Jesus considera que o exercício do voto representa “uma prova da vitalidade participativa da academia de Coimbra”. O presidente da comissão eleitoral do referendo reforça a importância do mesmo. “Numa altura em que a AAC está num estado precário, é importante saber se esta atividade tem um peso junto dos estudantes que valha a pena continuar ou não”, complementa.

Até à publicação deste artigo não foi possível contactar um representante do movimento “Coimbra dos Estudantes”.

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