TEUC celebra 80 anos de existência

Teatro dos estudantes mais antigo da Europa é “um reflexo da geração”. Estrutura do TEUC foi repensada após quebra no financiamento. Por Catarina Magalhães e Ana Rita Teles

“Uma vez Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), unidos para sempre”, afirma o vice-presidente do TEUC, Emanuel Santos, que celebra oito décadas de existência. O festejo deste “marco importante” prolonga-se durante o corrente ano civil. O mesmo vai concretizar-se através de iniciativas como exposições e o possível lançamento de uma revista que marca a história da casa.

Apesar do fim do financiamento por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, os teatros académicos vivem. Este impasse levou à “revisão de muitos aspetos tidos como adquiridos”, salienta Emanuel Santos. A presidente da mesa da assembleia do TEUC, Rita Dias, referiu ainda a necessidade de “arranjar alternativas de financiamento”.

No entanto, os membros do TEUC encontraram aqui uma oportunidade de se reinventarem. Rita Dias assinala a esperança de que o espaço “continue a ser livre e que não volte à ditadura do teatro clássico”. O vice-presidente acredita que “enquanto mantiverem essa garra, o TEUC vai viver para sempre”.

Para Emanuel Santos, os teatros universitários “são bons pela permeabilidade que oferecem”. Ao longo do tempo, a dinâmica alterou-se e “os antigos moldes perderam-se”. A presidente da mesa da assembleia reforça que “o TEUC é o que as pessoas que cá estão querem que seja”.

Aberto a diversas formas de funcionamento artístico, o teatro dos estudantes “não segue sempre uma linha certa”. Marcados pelas convenções dramatúrgicas do passado, nos dias de hoje, as performances são “sobretudo teatro corporal”. Os espetáculos não se cingem apenas aos estudantes. “A verdade é que a comunidade fora da academia também é muito grande”, defende Emanuel Santos.

O começo das celebrações é já esta quinta-feira no Aqui Base Tango com o intuito de “festejar a persistência, a determinação e a reinvenção que está a suceder”, assinala Rita Dias. Trata-se da celebração do “espírito de família”. “O TEUC funciona muito a partir do querer fazer, mais do que do dinheiro”, termina o vice-presidente.

Fotografia: Pedro Dinis Silva