Pedro Passos Coelho inaugura ciclo de conferências na FEUC

O ex-primeiro-ministro abordou o OE 2018 e teceu críticas ao atual Governo. A próxima conferência vai ter lugar dia 7 de março. Por José Gomes Duarte e Samuel Santos

O primeiro episódio do ciclo de conferências “Economia Hoje, Futuro Amanhã” decorreu hoje no auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). O Orçamento do Estado de 2018 (OE2018) foi o tema abordado pelo primeiro-ministro do XIX e XX do Governo Constitucional de Portugal, Pedro Passos Coelho.

A dias de cessar as funções como presidente do Partido Social Democrata (PSD), o ex-primeiro-ministro avisa que “o OE2018 é uma intenção, mas é importante observar como ele se executa”. Pedro Passos Coelho defende que o OE2018 deve ser planeado a médio prazo e ter em conta a restrição do endividamento da economia, assim como a promoção de boas políticas públicas.

O deputado critica o atual Governo por “não ter cumprido a promessa de reduzir a carga fiscal”. Destaca ainda que “a redução do défice tem sido conseguida através das cativações orçamentais e das tributações indiretas”. Pedro Passos Coelho vai mais longe e afirma mesmo que Portugal ainda “vive um tempo de austeridade”. O economista frisa a importância de “melhorar o perfil estrutural da economia portuguesa, através do aumento das exportações”.

Ao longo de toda a conferência, o orador convidado teceu várias críticas ao Governo de António Costa, de forma específica no que diz respeito ao emprego, que considera “mal renumerado e precário”. O antigo primeiro-ministro responsabiliza o atual executivo por Portugal “não ter saído mais cedo do procedimento de défice excessivo”.

Para concluir a sua intervenção, o deputado reflete que “na vida se deve sempre prever o que pode acontecer. A academia não está fora da esfera política, mas sim da esfera partidária. Quem não souber avaliar as boas e más ideias, está a prestar um mau serviço à sociedade”.

Em declarações ao Jornal A Cabra, Pedro Passos Coelho realça a importância de a “academia estar próxima da sociedade” sob prejuízo de, se não acontecer, “definhar e desaparecer”. Destaca de igual modo “o grau de abertura que as atividades extracurriculares proporcionam”.

Questionado acerca da parcela do OE2018 para o Ensino Superior, o ainda líder do PSD, defende que existe a “necessidade de alterar os critérios que têm presidido à lei do financiamento do Ensino Superior”. As boas avaliações dirigidas à Universidade de Coimbra (UC) merecem destaque do primeiro convidado deste ciclo de conferências. “A UC tem sido objeto de avaliações muito positivas e tem mostrado capacidade para atrair estudantes”, acrescenta.

Simão de Carvalho, presidente do Núcleo de Estudantes de Economia da Associação Académica de Coimbra (NEE/AAC), faz um balanço “extremamente positivo” desta primeira conferência. Sobre a escolha de Pedro Passos Coelho para este primeiro momento de debate, o dirigente do NEE/AAC explica que “a experiência e formação dentro da área de economia foi determinante”.

A próxima conferência vai ter lugar dia 7 de março, pelas 14h30 no mesmo local. O tema vai ser “Retrospetiva ao Governo de António Costa”. Os oradores vão ser confirmados nos próximos dias.

Fotografias: José Gomes Duarte e Samuel Santos

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