Aniversário do comboio da Lousã em exposição de cartunes

O evento tem como foco o comboio da Lousã. O desaparecimento deste transporte é apontado como um problema. Por Ana Lia Brandão

“Cartunes pelo Ramal” assinala os 111 anos da inauguração do comboio da Lousã. A iniciativa foi organizada pelo Jornal Trevim e decorre hoje, com início às 15 horas, no Museu Municipal Álvaro Viana de Lemos, onde vai também realizar-se um debate. Os cartunistas Carlos Sêco e Zé Oliveira, vão ter os seus trabalhos em exposição.

No início de dezembro assinalaram-se oito anos após o desaparecimento do comboio do Ramal da Lousã. Desde 1906 este transporte uniu Coimbra a Serpins, freguesia do concelho da Lousã. Após a perda, Zé Oliveira informa de uma promessa sobre a criação de um metro que o mesmo afirma “nunca ter sido implementado”.

Os cartunes não são apenas exibidos nas paredes do Museu, mas também editados em livro. O que inclui uma incursão do historiador de artes Osvaldo Macedo de Sousa sobre as “Caricaturas do Portugal Ferroviário” e ilustrações de Bordallo Pinheiro e Stuart Carvalhais. Zé Oliveira explica que esta ideia “surgiu devido à efemeridade das peças dos jornais em geral”, e também como forma de atingir mais pessoas “não só no presente como também no futuro”.

A participação de Osvaldo Macedo de Sousa, segundo o mesmo torna-se essencial no livro como forma de enquadrar os cartunes no seu contexto histórico e realidade cultural porque “quando um cartoon é feito, é dirigido a uma época e a uma cumplicidade cultural”, realça. O historiador afirma que “a caricatura evoluiu conforme os tempos”. Acrescenta que “hoje em dia as pessoas estão mais suscetíveis e têm mais problemas de tolerância no que diz respeito ao humor”.

Fotografia: Daniela Pinto