Combate musical do ano: Linda Martini vs The Legendary Tigerman

Digressão esgota salas por todo o país. Bandas de rock português juntam-se pela terceira vez e homenageiam Rumble in the Jungle. Por Maria Fernandes e Maria Francisca Romão

Num combate constante pela afirmação do rock e blues portugueses, Linda Martini deixam a capital para trás e juntam-se em Coimbra aos The Legendary Tigerman. O Salão Brazil foi o ringue escolhido para o próximo Rumble in the Jungle, dia 7 de dezembro pelas 22h. As salas esgotadas mostram “uma ‘tournée’ com todo o potencial para ser histórica”, assim como o combate de 1974 entre Muhammad Ali e George Foreman, referem as duas bandas.

Ambos os grupos, prestes a lançar novos discos, optaram por revelar algumas das suas músicas antes da edição e promoção, ideia contrária ao feito nos anos anteriores. Apesar de sonoridades diferentes mas carreiras parecidas, partilhar público, palco e digressão, por salas “mais pequenas, quentes e próximas das pessoas” é o principal objetivo dos concertos.

A luta entre os dois pugilistas assemelha-se ao percurso de “Amor Combate” das duas bandas. Numa iniciativa de Paulo Furtado, a cara dos The Legendary Tigerman, “a estética, a promoção e a comunicação do evento” giraram em torno do combate, confessa. Para o baterista da banda lisboeta, Hélio Morais, assim como de PAUS e If Lucy Fell, esta analogia confere”alguma piada” à própria digressão.

Para dividir ‘rounds’ musicais e como forma de referência direta ao combate de 1974, tem sido utilizada a “banda sonora original que passou nos intervalos do confronto”, alegam os músicos. Com a digressão a decorrer desde novembro, Paulo Furtado faz um balanço positivo e prevê a continuação de “salas cheias” com espetáculos “incríveis”.

Hélio Morais vê a experiência como uma oportunidade de crescimento para os Linda Martini. “É sempre bom fazermos algo que nos tira da nossa zona de conforto”, reitera. Fazê-lo acompanhados pela equipa dos “Homens-Tigre”, com quem tocaram apenas duas vezes, é por isso “inesquecível”. As diferenças entre ambas não só se fazem notar no género musical e a nível sonoro, como ainda se refletem na mistura de públicos, que o percursor da ‘one-man-band’ classifica como “muito interessante”.

Fotografia gentilmente cedida por Raquel Louçã