Casa da Escrita recebe apresentação de livro sobre ensino recorrente

“Será sempre mais um contributo e nunca é demais”, Luísa Esteves Silva apresenta obra sobre a etnia cigana inserida no ambiente de ensino. Por José Miguel Couceiro e Raquel Medeiros

“O Sentir Cigano no Ensino Recorrente” vai trazer uma nova perspectiva sobre o comportamento da comunidade cigana no ensino à Casa da Escrita. A autora Luísa Esteves Silva partilha com o público a investigação realizada em 2003.

A Casa da Escrita recebe amanhã, 11 de Novembro, pelas 16 horas, a autora Luísa Esteves Silva para apresentar a sua obra “O Sentir Cigano no Ensino Recorrente- da escola e trabalho ao bem-estar subjetivo”. Baseada na dissertação de 2003 do Curso de Mestrado em Educação de Adultos, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, a obra aborda a experiência de pessoas de etnia cigana no ensino recorrente.

Ao contrário das tendências da época, o grupo analisado fez a diferença pois “de forma habitual, no final do primeiro ciclo, abandonam e não querem nada com a escola”, refere Luísa Esteves Silva. Este caso “saiu um bocadinho aos costumes que é habitual ver na comunidade cigana”, acrescenta ao referir a razão que levou a aprofundar o tema.

A experiência que levou ao livro            

O ensino recorrente tem como alvo pessoas que não tiveram a oportunidade de completar o ensino escolar. Esta modalidade educativa “foi um subsistema de ensino que dava às pessoas a possibilidade de completar os seus estudos”, declara a autora. O modelo funcionava em regime pós-laboral o que facilitava a participação dos interessados, uma vez que a grande maioria trabalhava.

Durante a investigação, a autora acompanhou o desempenho de um grupo no concelho de Pombal. A turma apresentou um nível de sucesso elevado, o que garantiu, a alguns, postos de trabalho nas várias dependências e serviços da Câmara de Pombal, quando terminaram o percurso.

Na altura, foram recebidos diversos apoios tanto do Presidente da Câmara como da professora que os acompanhava, Luísa Alegrete. “Foi extraordinário, um canalizar de energias de empenhamento para que aquele grupo tivesse algum sucesso como, de facto, aconteceu”, realça a autora da obra.

Quando questionada acerca da publicação do trabalho estar a ser feita anos depois da sua realização, Luísa Esteves Silva confessou que foi motivada pelos amigos e familiares. Porém, “a razão fundamental foi a partilha da investigação”. Como a autora não gosta de “egoísmos” empenhou-se no lançamento do livro. Acrescentou ainda que sobre este tema- trabalhos relacionados com a etnia cigana- a bibliografia disponível “não é abundante”.

Fotografia de José Miguel Couceiro