Em seis dias, dez fitas de dez realizadores fazem a Festa do Cinema Francês no TAGV

Este outono, de 17 a 22 de outubro a cinematografia francesa regressa a Coimbra com cinema “de proximidade, de pequena escala e de intimidade”. Por Isabel Simões

A maioridade da Festa do Cinema Francês chega a 12 cidades do país com filmes que são de “agora” e que estão a ser “promovidos e distribuídos a nível internacional”, salientou o diretor do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), Fernando Matos Oliveira, na sessão de apresentação das fitas que vão ser projetadas em Coimbra.

Na cidade a Festa do Cinema Francês fica de 17 a 22 depois de ter inaugurado em Lisboa a 5 de outubro e passado em Almada e Cascais. Termina a 12 de novembro em Setúbal. Seis dias, dez filmes, dez realizadores fazem a “Festa” na tela do TAGV. Uma programação que beneficia de ter “uma direção e uma equipa estabilizada que decorre da parceria entre o Instituto Francês de Portugal, a Embaixada de França e a Alliance Française de Coimbra, com a colaboração do Teatro Académico de Gil Vicente”, destaca Fernando Matos Oliveira. “A Festa” sobrevive há 18 edições por ser uma aposta institucional “suportada e apoiada pelo Estado Francês” e por ter uma equipa de produção e programação “estável e consistente”, na opinião do diretor do TAGV. Com uma frequência de público que tem variado entre os 3000 e os 5000 espetadores, a Festa do Cinema Francês regressa a “um conjunto de obsessões muito francesas”, revela Fernando Matos Oliveira.

“A subjectividade, a vida em comum, o lado emocional da experiência humana, da convivência e da partilha” são aspectos mencionados pelo diretor do TAGV e abordados em filmes como “Drôles d’Oiseaux” de Élise Girard ou “Compte tes Blessures” de Morgan Simon para só indicar dois dos filmes que vão estar na tela a 17 e a 18 de Outubro respectivamente. Os temas são abordados com frequência na cinematografia francesa e “influenciaram o cinema português”, esclareceu a docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Cristina Robalo Cordeiro, presente na sessão em representação da Alliance Française de Coimbra e da Embaixada de França.

O filme “Tour de France” de Rachid Djaïdani, passa a 19 de Outubro, esteve na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2016. Gérard Depardieu e o rapper Sadek, interpretam a história de uma viagem de um jovem obrigado a deixar Paris com um velho maçon do Norte de França. Uma das marcas da iniciativa prende-se com a atenção que é dada às escolas. “A Festa do Cinema Francês é claramente aquela que tem uma força identitária e que gera mais efeitos de comunidade na cidade”, enaltece Fernando Matos de Oliveira. As sessões para as escolas são gratuitas embora careçam de inscrição prévia. Acontecem duas a 19 de outubro, às 10h30 e às 14h30. A outra tem lugar a 20 de outubro pelas 10h30.

Para Cristina Robalo Cordeiro as películas que vão ser projetadas no TAGV são “do melhor e mais recente do que se faz em França, neste momento”. A docente da FLUC realça a dimensão comunitária da Festa que tem uma “dimensão de abertura muito grande à cidade” por ser “aberta a toda agente” e destinada a públicos de várias idades.  “É a festa da cidade e para a cidade” concluiu.

Este ano não vai acontecer como habitual a presença de atores e realizadores. Embora seja sempre uma dificuldade de agenda e de logística de viagens, Fernando Matos Oliveira adianta como “razão também particular” os filmes a projetar serem “de agora” e estarem “a ser promovidos e distribuídos a nível internacional.

Fotografia por: Isabel Simões