[II Liga] Académica vs Gil Vicente – Os estudantes, um a um

Paulo Sérgio Santos presenciou o jogo de ontem, onde houve um jogador de seleção nacional sub-20, um potencial de clonagem e até uma miragem de Costinha. Quanto a possíveis perguntas de demissões, só nas vossas cabeças. Fotografia por Inês Duarte

Ricardo Ribeiro – 7

A certa altura demos, eu e o meu colega de trabalho, por nós a julgar assistir a um jogo do City. Bola na quina da pequena área e o 87 desfere um pontapé comprido, veloz, a meia altura, imaculadamente na direção de alguém que se desmarcou na ratice de não haver fora-de-jogo assinalável. A jogada não vingou, mas o potencial está lá. Bem como 31 de agosto, que ainda parece tão longe.

João Simões – 6

Se perguntarem à Dona Felismina, que mora na Adémia, quem é o jogador da Académica que foi chamado aos sub-20 nacionais, dirá prontamente “aquele miúdo, o Simões”. Mas não virem logo as costas, porque ela chamar-vos-á para falar mais um pouco: “o pirralho sempre pareceu ter jeito, mas não basta parecer, nem correr só nos últimos minutos; para isso já existe aquilo do Metro Mondego”.

Nélson Pedroso – 5

Já cansa iniciar as descrições da posição de lateral esquerdo da Briosa com “o jogador experiente”. É que experiente, neste contexto e nos últimos anos, poderia ter sido o senhor Fonseca, lateral esquerdo da equipa dos casados de Solteiras. Isto e, a cada nova contratação para a posição, descreverem-no como “exímio na marcação de bolas paradas”. Começa a ser tão provável como um espanhol colocar no currículo que fala um inglês quase perfeito.

João Real – 6

Ivo Vieira não o anunciou ontem, mas este vosso escriba está em condições de avançar que a Académica está em conversações com o Laboratório de Citogenética e Genómica e com o Laboratório de Bioquímica Genética para avançar com a primeira clonagem bem-sucedida de um jogador de futebol, com João Real a ter a honra de se tornar um marco no futuro do futebol estudantil. Ele e os próximos três centrais da Briosa: João Real I, João Real II, e João Real III.

Brendon – 5

Também o brasileiro, em conjunto com Yuri Matias, se tornará uma referência num estudo ainda a delinear. O objetivo é tentar entender o mecanismo de comunicação entre dois clubes transatlânticos, que leva à transferência de um jogador, sem que o clube recetor perceba que está a ser enganado.

Ricardo Dias – 6

Por momentos, julguei que Costinha estivesse no banco. Jogador novo, jogador no onze. Não, Costinha está na Madeira e o Ivo cá. Sim, e o Fernando Alexandre lesionado, o Guima castigado, o Lagoa desaparecido. Portanto, “Ricardo, este é o Mondego e este é o estádio onde vais jogar. Olha, curioso, vai haver um jogo dentro de minutos. Força aí”. E foi bom enquanto as pernas duraram, para aí uns 45 minutos.

Chiquinho – 5

São raros os jogadores da Briosa (Marinho, João Real e Ricardo Ribeiro, assim de cabeça) que aguentam elogios destas crónicas durante mais de um jogo seguido. Em consequência do temporal que assolou a cidade durante a tarde de ontem, ter-se-á visto aflito para chegar ao estádio devido a inúmeras inundações nas artérias conimbricenses. Depois, ao sair do túnel de acesso ao relvado batatal, pensou estar no local errado, um quase arrozal. Se lhe perguntarem porque jogou assim-assim ontem, este vai ser o seu alibi.

Harramiz – 5

Há neste novo recruta uma centelha de qualquer coisa. Tem o fantástico carácter dual de conseguir extrair do espectador uma poderosa interjeição antecessora “que jogada!”. Quando tem a bola e parte para cima dos defesas contrários, e quando tem uma paragem cerebral e julga que a Académica equipa de vermelho. Harramiz, amigo, já não estás no Benfica há uns anos.

Luisinho – 5

Durou 45 minutos e o médico da Académica, Ivo Vieira, veio à conferência de imprensa explicar que o problema é ter chegado mais tarde do que os restantes jogadores. Para aí uns 15 dias depois dos que transitaram da época passada. E, entretanto, já passou mais de um mês. Mas pronto, chegou mais tarde, e por isso só durou 45 minutos.

Zé Tiago – 6

É possível que seja um dos próximos jogadores a clonar, na esteira de Fernando Alexandre e Ricardo Ribeiro. A bola sai esférica, como é, dos seus pés, e não quadrada, como dos pés da maioria dos restantes companheiros. A sua capacidade adivinhatória provoca aquele tipo de jogadas em que o adepto acaba irritado com outro jogador, porque não correu. Ou seja, a bola ainda está em Ricardo Ribeiro e já Zé Tiago sabe onde, segundos mais tarde, a vai colocar. A pena, e igualmente problema, é ninguém estar no seu nível mental, ainda. Com mais três Zés Tiagos, a coisa vai lá.

Tozé Marreco – 5

Rezam todos os compêndios da mais fina arte futebolística que a posição de ponta-de-lança é a mais ingrata, à semelhança da de guarda-redes. Das duas é esperado o milagre, ainda que de tendência oposta – meter a bola na baliza/impedir que a bola seja metida na baliza. Ontem, Rui Sacramento saiu herói e Tozé Marreco vilão. Em dupla dose, já que o marcador do golo gilista foi Rui Miguel.

Pedro Empis – 4

Embora haja uma tendência no futebol moderno para adaptar extremos a laterais, com a justificação que é necessário dar profundidade ao flanco, a literatura científica da área é omissa em relação a experiências contrárias, de adaptação de laterais a extremos. E o primeiro ensaio, ainda que revelador de uma ou outra tendência positiva, não foi promissor.

Diogo Ribeiro – 5

Eventualmente, lá para maio de 2018, poderá vir a ser conhecido como o tipo que marcou aquele golo contra o Gil Vicente aos 90’+4 e, possivelmente, caiu no goto do treinador, vindo a tornar-se no melhor marcador da II Liga. Para já, parece que entrou no sentido de uma campanha de perceção de utilidade de todos os elementos do plantel.

Djoussé – 4

Há, já dizia Gabriel Alves, a força da técnica e a técnica da força. O ponta-de-lança emprestado pelo Marítimo é um missionário da segunda doutrina, impondo religiosamente o seu poderio físico, quando entra, aos defesas contrários. Ricardinho, ontem, sentiu na pele essa força da técnica.

Ivo Vieira – 4

Uma ameaça de substituição por Quim Machado é coisa para indispor qualquer um. Perguntarem-lhe se se teria demitido se tivesse perdido o encontro, também. Há alguns limites até para o mais paciente dos homens. Mas, de forma objetiva e em relação ao jogo, gostaria de deixar algumas questões, ressalvando que possam estar todas na minha cabeça:

  1. Faz sentido falar-se em desgaste dos jogadores logo no início da época? E se tivéssemos jogado eliminatórias de acesso às competições europeias, como o Braga e o Marítimo?
  2. Faz sentido colocar um lateral esquerdo (que não tem sido titular na sua posição, depois de ter dado boa conta do recado no jogo de apresentação e sempre que joga) a extremo, quando tem no banco o Teles (que também foi titular no jogo de apresentação, e das melhores surpresas)?
  3. E, para além do extremo que ainda vai aparecer, que tal mais um central?