[II Liga] Académica vs Braga B – Os estudantes, um a um

Paulo Sérgio Santos viu de tudo neste jogo. Desde um erro de ‘casting’, passando por um tronco e um jogador que dava uma ‘sitcom’. Porém o que mais interessa, até numa ‘sitcom’, é que tudo está bem quando acaba bem.

Ricardo Ribeiro – 8

3, 34, 45 e 52. Não é parte dos números do Euromilhões, de uma nova sequência matemática, nem de coordenadas geográficas. São, isso sim, os minutos em que o camisola 87 se lançou ao relvado, em busca de bolas rasteiras e matreiras ou na direção de chuteiras adversárias. A apetência pelo tapete verde, que também é o do equipamento que veste, pode induzir cobiça alheia. Há clubes ecológicos por terras de sua Majestade. Proponho que a cláusula de rescisão seja fixada no ano em que houver uma nova revisão do Acordo de Paris.

João Simões – 6

Usufruindo de uma eventual quebra de confiança em Mike Moura, conhecido construtor de auto-estradas, e agora que o mercado da construção civil está em baixa, está de volta à faixa direita um dos ex-líbris da formação academista. Ainda está em fase evolutiva, mas denota poder vir a ser aquilo que um dia José Mourinho disse de Paulo Ferreira: nunca seria um dez, mas era sempre um nove.

Nélson Pedroso – 3

Portanto… Houve qualquer coisa que escapou ao comum dos mortais, mas, espera-se, não tenha escapado a Ivo Vieira para, nos dois primeiros jogos da II Liga, ter alterado as laterais para aquilo que não era expectável na pré-época. O erro de ‘casting’ da esquerda foi corrigido ao intervalo, optando-se por um jogador que, mesmo não sendo da Académica, poderá ser muito melhor ao longo do ano do que um com contrato com a casa. E isso deve ser a única razão para se ter alguém emprestado.

João Real – 7

Já lá vão sete épocas de Briosa, tal como Marinho. Muitos parceiros ao lado, erros certamente acumulados, peripécias que poderiam dar uma reportagem ou entrevista interessantes. Hoje usou de todo esse manancial de experiência para respirar fundo várias vezes de cada vez que olhava para a esquerda e via um tipo passivo ao invés de agressivo. Pensou, certamente, que no meio é que está a virtude. E que não percebe a dificuldade em encontrar essa mesma virtude.

Brendon – 4

Foi aos 14’, aos 42’ e numa série mais de minutos e momentos que levou o mais tranquilo e paciente adepto da Académica à exaustão mental e ao ponto de rutura. Há, por este mundo fora, e mesmo na literatura, troncos com mais velocidade, preguiças com maior sentido posicional e toupeiras com visão de jogo mais apurada. David Attenborough será capaz de comprovar isso mesmo.

Guima – 6

A vida de um trinco não é fácil, mas leva-se pelo seguinte lema: quanto menos der nas vistas e menos a equipa sofrer, melhor terá sido efetuado a sua lavoura. Não terá sido um dos melhores dias de trabalho de Ricardo, mas levante a mão quem nunca teve um mau dia. Especialmente com um Brendon nas costas.

Chiquinho – 7

Veio, todos julgavam, rotulado de médio ofensivo e aparece agora num novo formato de ‘box-to-box’, aquele médio na moda, em bom português, de área a área. Se os russos terão ajudado na eleição de Donald Trump, podem, por uma infinitésima parte, cortar a possibilidade de, na Croácia, verem as exibições de Chiquinho através da Sport TV ou da Briosa TV. Depois, no final da época, é só dizer que o catraio não vale grande coisa, mas, beneméritos, compramo-lo por meia dúzia de tostões.

Marinho – 7

Nos Estados Unidos há imensas séries de comédia com títulos à volta de ‘Everybody loves…’ ou ‘Everybody hates…’. Por esta cidade, a protagonizar-se uma ‘sitcom’ ou mesmo um drama, a escolha iria sempre para um ‘Everybody loves Marinho’, ainda que com uma mistura de taças, descidas e outros momentos. E pensar num último episódio, com o sol a pôr-se, é algo para trazer uma lágrima ao olho mesmo ao mais duro dos seres humanos.

Ki – 6

O sul-coreano está melhor do que na época passada, diz-se, por ter melhorado a sua alimentação. Contudo, aparenta estar em fase de ressaca, tal é a tendência para alternar o melhor e o pior, as assistências para golo e a bola que teima em não sair dos pés, os cruzamentos teleguiados e os outros que, enfim, vão direitinhos ao sítio de hambúrgueres da Solum.

Zé Tiago – 7

Do alto da sua pequena estatura revela-se um exímio cabeceador. A inexistência capilar, ao longe, fá-lo ainda assemelhar-se a um pequeno génio que encantou relvados de ‘nuestros hermanos’, tal é a qualidade com que a bola sai sempre dos seus pés. Na vida de um clube de futebol há uma certeza absoluta, a de que existem jogadores que deveriam ter sido sempre seus, mas mais vale chegar tarde que nunca. Ainda vai a tempo de sete fantásticos anos, a exemplo de um seu companheiro de altura.

Tozé Marreco – 7

Por esta altura, os adeptos já só se lembram de Rui Miguel quando começam a passar os minutos da segunda parte. Tozé, esse, está a mostrar neste início de época que muita falta fez na segunda metade de 2016/17 – um golo por jogo. É acarinhá-lo e, sobretudo, não o insultar na hora de o substituir, mesmo que se o faça cedo.

Empis – 5

Empis, espero que não tenhas feito das boas e o Ivo te tenha castigado. Se fizeste, olha, aguenta-te à bomboca e lembra-te que 20 anos já é idade adulta. Não creio, contudo, que tenhas de ser punido por ainda não teres passado os 30, sendo condenado a uma vida ostracizante no banco de suplentes.

Djoussé – 2

Está aqui um belo exemplo de como não contratar jogadores emprestados. Para ficar no banco, haveria melhores e há, mesmo, melhores. E entrar em campo e fazer aquilo é compreender o ar incrédulo de Tozé Marreco quando viu a placa com o seu número levantar-se e ter de desejar boa sorte a Donald. Uma vez mais, não se faz.

Luisinho – 5

Só a bola ao poste, antecedida daquele domínio primoroso, já vale o 5. O resto foi uma amostra do que pode vir a ser.

Miguel Romão – 6

Gritou, interagiu com o quarto árbitro e começou a conferência de imprensa a agradecer aos adeptos pelo apoio. A seguir, quando lhe perguntaram o que achou da prestação do Zé Tiago, disse que o que interessa é o coletivo. O normal e mais do mesmo. Há de existir um manual secreto com a linguagem codificada necessária aos diversos agentes do futebol, de evitar. Faltou referir que ganhou, o que se espera que, por troca com as expressões padronizadas, passe a ser o normal.

[p.s. – esta época, para enquadramento com o restante panorama classificativo do jornalismo desportivo português, entendemos alterar as pontuações dos jogadores de 0 a 5 para 0 a 10]