[Amigável] Académica vs Tondela – Os estudantes, um a um

Entre férias e clássicos da música brasileira, a Académica ainda está um pouco presa a 2016/17. Paulo Sérgio Santos espera que o facto do próximo jogo ser também para uma taça patrocinada por um banco não seja mau sinal. Fotografia por Hugo Guímaro

(59) Guilherme – 4

O ex-leãozinho não ficou bem na fotografia, apesar de não ter sofrido golos. Por isso, no final, ninguém se lembrou de dizer que gostava muito de o ver (, leãozinho). Primeiro, porque parecia um jogador do Tondela logo a abrir a contenda, e segundo, porque provocou sustos na bancada e não é necessário aumentar o número de cirurgias cardíacas bem-sucedidas no CHUC.

(23) Mike – 4

Uma exibição que não foi fantástica. Nem sequer boa, Mike. Passou mais tempo a colar-se a João Real, quiçá a aprender algo, do que a ocupar o espaço que lhe compete. A julgar pela oposição que tem no lugar, vai continuar a querer construir uma autoestrada no Calhabé.

(5) Pedro Empis – 6

Este leãozinho já dá vontade de ouvir a canção de Caetano Veloso, principalmente se em conjunto com Guima (mas já lá iremos). Naqueles trilhos que, a cada 45 minutos, são designados por lateral esquerda, faixas de erva da mais alta qualidade com 105 metros de comprimento, a noite deu lugar ao dia, a lentidão exasperante a uma velocidade apreciável quando necessária.

(13) João Real – 6

Tem quê, 34 anos? Não importa. Está pronto para mais uma época de colocar jogadores tenrinhos em sentido (vide aquele ‘sprint’ conjugado por uma imposição corporal logo aos dois minutos), colocar o Yuri também em sentido e ainda orientar o Mike. No fundo, num contexto laboral complicado, é bom não lhe faltar trabalho.

(44) Yuri – 5

Imagine-se que, na época passada, este jogador foi coberto da mais variada panóplia de elogios. Imagine-se, também, que em 15 jogos tinha levado cinco amarelos e um vermelho, por acumulação. Imagine-se, ainda, as expectativas, o crescendo de louvores que uma pré-época traz, qual Natal estival. E depois assiste-se a um compêndio de maus passes, que sossegou na segunda parte. É bom para acalmar as esperanças.

(27) Lagoa – 3

Diz quem lá esteve que uma camisola com o número 27 andou em campo. Em tom febril, juram que não foi visão. No final, Ivo Vieira também assegurou que era verdade e que essa camisola (e o seu portador) vai integrar o plantel. Mas, se se voltar a ver em campo, a dúvida restará: terá lá estado mesmo ou havia nevoeiro?

(21) Guima – 7

É, comece-se por dizer, um tipo intimidante. Faz lembrar um Fernando Alexandre dez anos mais novo. Aquela versão do nosso automóvel de sempre, mas com uma nova carroçaria, todo bonito, linhas mais aerodinâmicas, e, maravilha das maravilhas, o mesmo motor. Agora, num novo exercício mental, pense-se numa tarde de agosto e num autêntico rolo compressor a meio-campo, uma dupla vestida de preto, Guima e Fernando Alexandre. Problemas? Onde?

(7) Marinho – 6

Os anos passam, continuam a surgir jovens jogadores e o pequeno grande futebolista assemelha-se, cada vez mais, ao Vinho do Porto. Aqueles 166 centímetros enganam bastante, são maiores ao perto, e, pelo que se vê, continuam a aterrorizar hordas de inimigos, uns atrás dos outros.

(30) Teles – 6

É por isto que gostamos de Natais estivais. Não dos que resultam em semidesilusões, mas daqueles que fazem ansiar pela consoada, pelo cheiro de doces e do bacalhau, pela meia-noite, embrulhado numa manta, ou pela manhã seguinte, com os vidros das janelas embaciados. Teles é um presente de Natal antecipado, que ninguém sabia que queria, e talvez Ivo já não precise de mais (afinal, quantos extremos pode um homem querer e, mais importante, enfiar num onze?).

(8) Ki – 6

É impossível não sentir algum apreço pelo sul-coreano que veste de negro. A começar pelo seu sentido de moda nulo, na conjugação com umas chuteiras de um verde florescente, passando pelos toques acrobáticos, e acabando no arrastar cansado, qual motor rebentado, língua de fora. Pelo meio, marcou o único golo estudantil no tempo regular.

(90) Tozé Marreco – 5

Diz o povo que o bom filho sempre retorna. A um ponta-de-lança pede-se acutilância, uma raiva quase cega, uma obsessão única por um singular ponto no relvado: a baliza adversária. Que o 2017/18 de Tozé seja igual aos seus 2007/08, 2009/10, 2014/15. Para depois poder jogar num estádio com uma moldura humana superior a 2500 pessoas.

(43) Brendon – 3

Calmo, demasiado calmo, quase confundível com lento. Até no penalti, que converteu.

(66) Diogo Ribeiro – 2

É um tipo porreiro. E esforçado. A sério que é. Mas para além de não marcar muitos golos, agora também falha grandes penalidades.

(87) Ricardo Ribeiro – 4

Há o rumor do Feirense que, parece, o próprio já veio desmentir. Mas há solução para tal: convencer as boas gentes de Santa Maria da Feira que, para além de já estarem muito mais perto da Galiza do que nós, em Coimbra os milagres não consistem apenas na transformação de pães em rosas. Há também cabelos que crescem desmesuradamente em apenas 15 minutos e, portanto, foi Guilherme quem veio de verde para a segunda parte, e não Ricardo Ribeiro, o que explica a constância exibicional nas redes ao longo dos 90 minutos. Porque o verdadeiro 87 vai estar lesionado a época toda. Talvez regresse em fevereiro, quando fecharem os mercados todos.

(14) João Simões – 2

Já não era dado a grandes brilhantismos no final da época passada, mas ia cumprindo fielmente. Ontem, ao pisar novamente aquele ervado, regrediu. As férias têm disso, a malta estrelica-se na praia, ao sol, fica mole, come demais, abusa nos gelados e nas bolas de Berlim, enfim. Quando retorna a casa, a mente, tantas vezes, fica lá longe, a ver mais um pôr-do-sol. E se não se puser a caminho, quando chegar, há outro no seu lugar. Fantástico, Mike!

(19) Nélson Pedroso – 5

Há uma apetência nos laterais esquerdos da Briosa para a marcação de livres. E para, quando contratados definitivamente, terem mais de 30 anos. São tendências. Esta última fusão, todavia, parece ser interessante.

(3) Palancha, (10) Zé Tiago, (15) Vasco, (39) Djoussé, (18/77) Luisinho – –

Andaram por lá, uns desenquadrados, outros com pouco tempo e houve quem ainda marcasse um penalti e quem falhasse.

Ivo Vieira – 5

Ainda é cedo e os jogos de preparação valem o que valem. Perde, para já, na farpela menos cuidada e mais desportiva para o seu antecessor, que parece ser a única coisa que havia cá e que terá levado para a Madeira. Porque ainda há semelhanças com o fio de jogo de 2016/2017, com, a espaços, o surgimento de novos processos, que se esperam mais atraentes. Amanhã (domingo) é outro dia e os CTT, agora, também são um banco.