Antigo estudante de Coimbra representa Portugal em competição internacional

Apresentações de três minutos sem apoio audiovisual são o formato do concurso que procura descomplicar a ciência.“Concursos como este são meios de promover uma sociedade mais consciente da ciência e do seu valor”. Por Pedro Dinis Silva

“As duas metades da vida” foi o tema da apresentação do antigo estudante de Bioquímica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC). David Bidarra sagrou-se vencedor do FameLab Portugal 2017, concurso dedicado à comunicação de ciência. Selecionado entre uma panóplia de 12 concorrentes vindos de todo o país, o aluno vai representar o país nas finais internacionais do evento, que vão ter lugar em Cheltenham, Reino Unido, de 6 a 11 de junho. A final decorreu no passado dia 14 no Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva, em Lisboa.

Baseado num “formato diferente e original”, que assenta numa apresentação de três minutos “sem qualquer tipo de apoio audiovisual”, o concurso conta já com oito edições consecutivas no país. O presidente do júri do FameLab em Portugal, Carlos Fiolhais, esclarece que o evento é uma iniciativa da Ciência Viva, da Fundação Calouste Gulbenkian e do British Council. David Bidarra considera o formato da competição “curioso” e elucida que a não utilização de ferramentas de comunicação que combinam o som e a imagem “reforça a capacidade de explicar as coisas por si, sem nenhum apoio”.

“Para além de fazer ciência, é importante comunicá-la de maneira simples para as pessoas a perceberem”, elucida o estudante. Carlos Fiolhais complementa esta ideia ao referir que “é obrigação dos cientistas comunicarem o seu trabalho a toda a gente”. Sublinha ainda que “concursos como este são meios de promover uma sociedade mais consciente da ciência e do seu valor”.

O presidente do júri refere que “David Bidarra impressionou pelo tema original, o sexo do ponto de vista biológico”. Ao “informar e divertir” a plateia, o estudante tratou o “momento em que o óvulo encontra o espermatozóide”. Carlos Fiolhais considerou a ‘performance’ do estudante um “exemplo de como se pode contar uma história divertida e ainda esclarecer”.

Quanto às finais internacionais, o vencedor da competição em Portugal afirma não ter grandes expetativas uma vez que nunca participou “num evento assim tão grande, por isso há que ter calma”, enaltece. O estudante faz notar “só o facto de ir ao Cheltenham Science Festival já vai fazer com que aprenda bastante”.

Com oito edições consecutivas do concurso, Carlos Fiolhais atenta que Portugal “possui uma experiência acumulada e tem condições para ser competitivo na cidade do Reino Unido”. Acrescenta que “nestes concursos internacionais está sempre presente o melhor de cada país” e que ganhar, “apesar de não ser fácil, é possível”. O presidente do júri do FameLab Portugal manifesta o desejo de que “marcar uma posição e fazer boa figura” e acha que “um dia Portugal pode conquistar a vitória internacional”. “Porque não há de ganhar? É preciso é trabalhar para isso”, conclui.

Fotografia: D.R.